Estudo 3: Perícia geofísica de falhas em pavimentos rodoviários (adaptado de Sufiyanussuari et al., 2021)
Métodos utilizados: Tomografia de Resistividade Elétrica (ERT 2D), sondagens SPT, poços de inspeção (trial pits) e ensaios Mackintosh Probe.
Resumo técnico
A investigação combinada geofísico-geotécnica foi aplicada para determinar as causas de falhas prematuras em trechos da rodovia FT005 (Rengit e Semerah), construída sobre solos moles marinhos.
Os perfis de ERT (100–200 m de extensão e até 40 m de profundidade) revelaram que:
- a subsuperfície está majoritariamente saturada, com resistividades < 100 Ω·m, característica típica de argilas marinhas moles;
- zonas de resistividade muito baixa indicam camadas espessas de argila muito mole (até 15 m de profundidade);
- há contraste marcante entre camadas superiores rígidas (pavimento + base + laje de concreto) e o subleito extremamente fraco.
As sondagens SPT e ensaios Mackintosh confirmaram:
- valores NSPT = 0–2 até 15 m (argila muito mole), aumentando gradualmente para argilas médias e rígidas abaixo de 20–30 m;
- subleito com baixa capacidade de suporte, totalmente compatível com os valores geofísicos identificados;
- estratigrafia distinta entre pistas adjacentes, associada a métodos construtivos diferentes.
Os poços de inspeção revelaram:
- presença de lajes de concreto, trechos com BRC e outros sem;
- descontinuidades estruturais, como juntas entre lajes e diferenças de rigidez entre métodos antigos e modernos de construção;
- asfaltamento sucessivo elevando a espessura para até 40 cm, aumentando a carga estática sobre solo mole.
Impacto para o projeto
A análise integrada ERT + SPT + ensaios destrutivos permitiu:
- identificar a causa primária das falhas: assentamento diferencial devido a solos moles saturados;
- reconhecer pontos críticos onde mudanças na técnica construtiva criaram zonas de transição rígida/mole;
- explicar rachaduras longitudinais como consequência direta da diferença de rigidez entre pistas, da presença de lajes e do recalque diferenciado;
- orientar medidas corretivas, como estabilização de subleito, substituição de materiais inadequados e melhoria do sistema de drenagem.
O estudo demonstra o potencial da ERT como ferramenta forense em engenharia rodoviária, oferecendo diagnóstico rápido, não destrutivo e com grande profundidade de investigação.



